terça-feira, 6 de novembro de 2012

A indesejada Calmaria


Um dia calmo
Calmo demais
Parecendo que torou-se deserta a cidade inteira
E mesmo sabendo que isto não é verdade a sensação não passa
Apenas alguns pássaros podem ser ouvidos
Nada muito alarmante
A calmaria é pesada
E um tanto quanto desgastante
Capaz de deixar entristecido o mais alegre cômico
Fecho os olhos e me imagino em outro lugar
Um lugar que não poderia estar realmente
Me vejo com outros iguais a mim
Não na aparência, mas nas convicções
Meus amigos
Todos saindo de seus dias monótonos e tristes
E se encontrando neste lugar
Onde todos estavam dispostos a tirar um ao outro da possível depressão
Um lugar onde todos estavam rindo e correndo
Felizes
Mas então abro os olhos
E vejo que nada mudou
O dia ainda é uma calmaria indesejada
E a única voz que ouço ainda é a minha
E somente a minha
Ao olhar pela janela
Vejo pessoas caminhando avoadas
Pessoas estas que são a única prova de que nem tudo está deserto
Elas andam depressa
Não param para olhar em volta
Acho que sei onde eles estão indo
Estão indo para o lugar que vejo quando fecho os olhos
O lugar feliz
E eles vão se curar deste dia arrastado
E perderão suas tristezas
Enquanto eu sigo aqui
Esperando que ao menos o Sol brilhe de novo
E almejando que o próximo dia não seja igual a este

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