terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O som das coisas


Debruçado sobre a mesa
Com o olhar vago para o alto
Com palavras singelas
Recitando Shakespeare
Encontrava-me ali
Eu e o nada
Uma suave melodia de qualquer musica tocando ao fundo
E entre uma xícara de café e um "ser ou não ser"
Parei um segundo para escutar os ruídos ao meu redor
Um estalo do soalho de madeira
Um chiado da vitrola que tocava o vinil que embalava aquela noite
Uma janela que batia com o vento
Parei então de recitar Shakespeare e concentrei-me somente em ouvir
Ninguem falava comigo
A não ser tudo a meu redor
E percebi que até mesmo o som das coisas tinham um peso e uma emoção
E até uma nostalgia
E que até os sons que, geralmente, passam por nós sem chamar a atenção
Quase imperceptíveis
Também fazem no silêncio poesia
Uma poesia tão boa quanto a de Shakespeare
Tão boa quanto a de renomados
Ou de gênios anônimos
Só as coisas
O simples som das coisas
E que bela poesia
Prac, tec, chiiii
E esse era eu agora
Recitando o doce e belo som das coisas

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