terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Quem sabe um dia


O amanhecer de um dia que certo seria tedioso
Após uma  noite de decepções
A cara inchada de um sono forçado
A respiração pesada e profunda
Contrastando com a cabeça que olha pra baixo incessantemente
Com olhos que as vezes se fecham para não olhar o que a vida se tornou
Numa tentativa esdrúxula de tentar esquecer o passado e o presente
E com a mente girando em torno a pensamentos dolorosos
E lembranças que corroem
A mão estendida
O abraço de despedida
O sorriso no rosto
Tudo era tão perfeito
Era pra ser tão perfeito
Mas na verdade tudo era uma desculpa para se aproximar mais
Quis me aproximar demais
Mas no fim, não consegui cantar a canção que  havia decorado
Nem entregar as flores colhidas
Um dia marcado pela resposta
Que definitivamente não era a que queria ouvir
E com olhos tristes que agora levemente tentam sorrir
Mas sem êxito
Deparo-me com a alegria do que poderia ter sido, mas que nunca será
E lembro que a vida é uma festa
Que deve ser aproveitada ao máximo antes que chegue a hora de ir para casa
Mundo mundano
Destino cruel
Vida vazia
Vida vadia
Destrói-me aos poucos como uma doença incurável
E os olhos marejados como que fossem chorar a qualquer minuto
Mas nunca choram
E a dor fica reprimida e acumulada no interior desta carapaça
Um exterior de alegrias falsas
A vida segue
Quem sabe um dia

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